Pra muitos de nós que estamos no 3° ano, possuímos uma expectativa sobre como será quando tudo estiver concluído.
Que tal se soubermos como foi esse período para o nosso colunista e professor Diego Matioli?
Vou lhes contar um segredo: seis anos atrás eu estava me formando no ensino médio, exatamente como muitos de vocês em breve farão. Talvez vocês achem que esse intervalo de tempo é secular, mas ainda parece que foi ontem que eu estava fugindo das aulas de educação física e marcando de sair com meus amigos no fim de semana. Não que eu seja a mesma pessoa daquela época, longe disso. Se eu venho aqui relatar minha experiência pós-terceirão é justamente para avisar vocês de que tudo vai mudar. Sei como a perspectiva de uma vida sem a escola pode parecer libertadora, mas professores, coordenadores, colegas, notas, namoros, trabalhos, provas e intrigas deixam um vazio quase irrecuperável quando finalmente deixamos essa vida, e é muito importante pensar com o que preencher esse vazio, pois ele vai deixar vocês malucos.
A maioria entrou no sistema com cerca de cinco anos pra sair dele com dezessete, dezoito. São pelo menos doze anos de uma rotina já exaustivamente conhecida. Mesmo se não gostam de acordar na segunda-feira de manhã, tem problema com aquele professor ou estão em uma sala cheia de atritos, isso tudo faz parte de um pacote que, apesar dos pesares, transmite segurança. É sólido. Pode existir toda a sorte de duvidas na sua vida nesse momento, mas a escola não é uma delas. Ela está lá e vai continuar lá pelo arrastar dos anos, sendo a certeza de muitos outros depois que vocês forem embora. A primeira manhã depois de formado parecerá ótima, mas basta algumas semanas para a ausência da rotina virar um incomodo no fundo da cabeça. Um que você sabe que o próximo dia primeiro de fevereiro não vai poder curar.
Bem vindo então a famosa crise dos vinte. Eu sei que a maioria de vocês ainda não tem vinte, mas acredite, essa crise irá durar o bastante para você se identificar com o titulo. Deixamos a escola para nos deparar com toda a sorte de perguntas complexas. O que vai ser de mim agora? O que irei fazer? Pra que serve minha vida? Tudo isso vai marretar sua mente constantemente. Não se enganem, um emprego legal ou uma vaga em uma boa faculdade não irão te salvar. É claro que ter uma ocupação ajuda, mas não resolve todas as duvidas. Será que eu me vejo nesse emprego daqui a dez anos? Será que esse curso é pra mim? Será que isso pode se tornar uma carreira? Será que vai dar para sustentar uma família? Alias, eu quero uma família? Eu quero uma família com a pessoa com quem eu estou namorando hoje? SERÁ QUE A VIDA É SÓ ISSO?
Não vou mentir, é um período confuso e tortuoso do qual só você vai poder encontrar um caminho. Alguns recorrem a religião, alguns recorrem a família, outros vão viajar pro exterior. Ninguém está errado. A sua resposta pode estar em qualquer lugar. E esse é justamente o outro lado da crise dos vinte: ela é infinitamente divertida. Você está dentro de um penhasco entre o período escolar e o resto do que você decidir para a sua vida. Vale de tudo aqui, pois ainda não há nenhuma responsabilidade definitiva. Aproveite as oportunidades, experimente coisas diferentes, conheça gente nova, vá para o Rio de Janeiro com os amigos no feriado, estude, tranque o curso e comece outro, arrume um emprego em outro estado, se mude, faça um curso de italiano, namore a pessoa mais inusitada possível. Os vinte são a Las Vegas das idades, o que acontece lá, fica por lá.
Até a ressaca moral chegar e todas essas experiências começarem a ser transformadas em decisões, é claro.
Crise dos 20
Postado por
Gustavo Marques- Uma forma diferente de pensar a vida
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Diego Matioli
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